
As crianças experimentam o mundo através da alegria, nascida da liberdade de irem ao encontro de si mesmas.
Existe atualmente – em nossa sociedade pragmática e fragmentadora – uma cultura que desvaloriza o brincar em nome de uma suposta necessidade de “aprender” a qualquer custo.
Brincar é coisa de criancinha muito pequena, quase bebê… Brincar é coisa prazerosa mas inútil, não leva a nada além da diversão fácil. Não propõe nada, não desafia. Onde se brinca, não há nada mais pra aprender. Depois de certa idade (que pode ser mais ou menos reduzida ou alongada segundo critérios inespecíficos), a criança “precisa” ser conduzida às aprendizagens, para além da brincadeira. E o lugar por excelência para tais aprendizagens acontecerem seria tão-somente a escola.
Trata-se de um quadro de ampla dicotomia entre brincadeira e aprendizagem, algumas vezes resolvido à base de se colocar a brincadeira à serviço do pedagógico, como para “dourar a pílula do conhecimento”. Brincar é importante, desde que “sirva” pra tornar mais agradável a tarefa pedagógica.
Não têm sido poucas as vezes que tenho ouvido coisas do tipo: “Quando meu filho for para o ensino fundamental vou levá-lo para uma escola mais séria, mais puxada. É como se a educação infantil fosse apenas um lugar para a criança ficar e no fundamental onde ela realmente irá aprender. Dois enganos. Vamos refletir sobre cada um.
Sugere e comprova que, brincando, o sujeito tem possibilidade de inventar e re-inventar culturas, oferecer e extrair sentidos do mundo, criar, designar afetos, localizar desejos, compreender sensações e sentimentos. Brincar é a ponte que generosamente associa emoção a racionalidade , coisa quase desconhecida pela maioria das escolas, que limitam a brincadeira aos 20 minutos de recreio.
Partindo desta concepção, este conceito supera em muito a visão pedagógica de construção de conhecimento, propondo um desdobramento: num mundo em que informação virou artigo de consumo, construir Saber é uma atitude revolucionária.
Construção inequívoca e visível de Saber. Mesmo as pessoas mais desavisadas, as mesmas que nos fazem críticas severas (“Mas como vocês podem deixar crianças de 4, 5 anos só brincando?” “Vocês sabem trabalhar com crianças pequenininhas, com as maiores são fracos”), diante de uma simples observação de nossas crianças não conseguem deixar de constatar o quanto são sábias. Construir Saber é muito mais que simplesmente aprender. É aprender sim, mas com sentido, com afeto, com redes de significado, com a alma inteira. É perceber que “ler”, por exemplo, não é apenas decodificar. É lançar-se com entusiasmo à curiosidade, à interação com os outros, é perceber-se Sujeito no meio da sociedade.
Muitas vezes não. Acabam propondo aprendizagens – poucas vezes construção de Saber e nosso sonho é que esta realidade possa ser alterada um dia – mas não garante que as mesmas aconteçam. Certas habilidades e/ou destrezas, construtos, informações vagas… muitas vezes não passa disso e não contam, no ambiente escolar, com as estruturas internas do Sujeito, que podem estar mobilizadas para os conteúdos ou não. Ou seja, para aprender é preciso que o Sujeito esteja disponível, mobilizado cognitiva e fisicamente, e que, além disso, suas estruturas psíquicas estejam de acordo. Não, não se aprende tudo na escola. Não na escola que estão oferecendo aos nossos filhos. O que temos observado é que, ao contrário, na maioria das vezes, o mundo está ganhando da escola até em produção de aprendizagens, o que deveria ser seu Devir.
Tendo em vista estas reflexões, me sinto muito à vontade para me posicionar diante desta questão. O trabalho ao qual me proponho – de brincadeira – é um trabalho conceitual, que favorece de inúmeras e poéticas maneiras o “estar” da criança no mundo. Insisto que, brincando, são engendrados conceitos muito básicos para ela, tão básicos que se pode facilmente perceber sua falta, naquelas crianças escolarizadas e “bem informadas” que sabem tudo, menos pensar, criar, inventar possibilidades num mundo cada vez mais exigente. O que se precisa hoje, no Século XXI, século da complexidade, é de pessoas Sábias.
Difícil responder. Afinal, Saberes não são coisas facilmente identificáveis como escrever, falar meia dúzia de palavrinhas em inglês, recitar esta ou aquela poesia, identificar o autor de uma pintura…
Mas não é tão difícil assim se olhamos essas crianças que brincam. 15 minutos de observação ou de conversa são suficientes pra alterar a questão para: Como podem essas crianças tão pequenas saber tanto assim? Fica então mais uma reflexão para vocês, pais e mães, quanto e como seus filhos estão brincando? Qual a qualidade das suas brincadeiras?
Beijos e até o próximo post e deixei mais dicas no Vamos às Compras.
Lúbia Tosta.
Desculpem-me a falta do post na semana passada.
Tentarei fazer, dessa coluna semanal, um espaço de reflexão acerca da centralidade da educação em nosso cotidiano. E, como a educação é um fenômeno multifacetado, determinante e determinado por aspectos históricos, socioeconômicos e estéticos, as direções que escolho periodicamente para minhas conjecturas são as mais diversas.
Semana passada eu estava no aeroporto voltando de viagem ( fim das férias), e ao meu lado estavam duas mães bem jovens conversando sobre um assunto que me chamou a atenção, discutiam suas inseguranças na escolha da primeira escola de seus filhos. Pensei então em abordar esse assunto, pois, poderia ajudar algumas de vocês que podem estar passando pelas mesmas angústias que aquelas mães.
Devo optar por uma mais tradicional, já que a educação em casa é liberal? Ou procurar a que prioriza o conteúdo, já que o mercado de trabalho não está brincadeira? Se bem que dizem que uma escola perto de casa é melhor!
É difícil encontrar pais que não passaram ou não vão passar por angústias desse tipo, na hora de escolher a escola que sua criança vai frequentar.
Do ponto de vista prático, os pais devem, primeiro, visitar a escola e questionar amplamente a sua proposta pedagógica. Depois, é preciso analisar se a linha da escola é adequada aos valores da sua família e também ao temperamento da criança.
É muito séria esta escolha!
Se o que buscam é dar competitividade e preparo para o mercado de trabalho desde tenra idade, isto deve ser levado em conta na escolha da escola.
Se, por outro lado, pretendem dar formação mais humanística, que desenvolva as capacidades de relacionamento e a chamada inteligência emocional, devem buscar outra, diferente da primeira!
Penso que, além da visão de mundo dos pais, certamente devemos também levar em conta os rumos do planeta em que vivemos, mas primordialmente sempre defendo que acima de qualquer valor, juízo, compreensão de mundo ou qualquer outro fator, deve prevalecer a idéia de que a escola em que nossos filhos irão estudar deve fazê-los felizes.
Afinal, o espaço escolar possibilita a expressão criativa, as experiências e experimentações diversas e o exercício de diferentes linguagens.
É aconselhável ainda indagarem sobre a formação profissional da equipe envolvida, as atividades desenvolvidas e as prioridades dessa escola. Será que elas vem de encontro às necessidades de seu filho? E lembrem-se sempre que a escola é responsável apenas por uma parte da formação da criança – “Quem educa o filho é o pai”.
Espero ter colaborado com vocês e se tiverem dúvidas ou quiserem trocar idéias enviem seus comentários ou sugestões.
Beijo de Lúbia e até a próxima semana – lubia_tosta@hotmail.com
A dica de hoje será:
O DVD MPBaby Amizade convida adultos e crianças a experimentarem juntos as diversas possibilidades da interação musical como uma importante forma de educação dos sentidos. Por meio de uma abordagem original, que tem como base temática o cultivo da amizade (não necessariamente entre seres da mesma espécie e nem sempre isenta de conflitos) e das diversas e criativas possibilidades de interação. Organizado no formato de 14 videoclipes, complementados por três seções extras, o DVD tem como personagens principais a formiga Tai (tradução de formiga, em Tupi) e a abelha Ju (tradução de abelha, também em Tupi), duas amigas que, em uma série de aventuras musicais, interagem com outras criaturas da fauna, da flora e da cultura brasileira, como tartarugas, joaninhas, sapos, tatus-bola, vagalumes, caracóis, sardinhas, caranguejos e peixes. Especialmente desenvolvido pelo compositor e violonista Reginaldo Frazatto Jr, o CD Cantigas de Roda completa este maravilhoso Kit. A escolha do repertório e a qualidade técnica e musical das gravações sensibilizam a todos, promovendo uma experiência inesquecível a pais e filhos. Os arranjos para violão acústico (ao contrário do uso indiscriminado de recursos eletrônicos) oferecem materiais sonoros de maior qualidade e diversidade para o estímulo da percepção auditiva.