07.08
2012

Quais são os sintomas para diagnosticar uma criança com depressão? O que fazer se realmente for depressão? Sou Carol Moreira, psicóloga e hoje vamos falar sobre criança com depressão.

Queridas leitoras do FalaMamãe,

Certa vez uma mãe com depressão recorrente, procurou o psicólogo encaminhada pelo psiquiatra de seu filho de 7 anos.
O psiquiatra diagnosticara o menino com depressão, receitara forte medicação à criança e encaminhara-o para psicoterapia. A mãe estava desolada.
Contou ao psicólogo que seu filho sofria bullying desde os 4 anos e que no ano anterior ele sofrera um trauma grave.
Prosseguindo com a investigação, o psicólogo descobriu que o que a mãe chamava de bullying era, na verdade uma interpretação dela mesma de preconceito (elaborada demais para uma criança perceber) e que o filho não tinha apresentado sofrimento sobre o fato; descobriu que o “trauma” era apenas uma suposição da mãe até então; e que o psiquiatra havia feito o diagnóstico em 10 minutos.
De fato a criança se apresentava nervosa, insone, com choro frequente e muito irritado, mas será que aquele diagnóstico era correto?
Será que havia necessidade de medicar?
Será que o problema principal não era o ambiente familiar estressante de brigas constantes de pais insatisfeitos um com o outro?
Será que aquela família não precisava de ajuda como um todo, ao invés de engessar o menino num dignóstico e medicá-lo até sabe-se lá quando?

Aliás, gostaria de abrir um parênteses: a medicalização da vida, ou o uso exagerado de medicamentos psicoativos desde a infância tem sido relacionado ao uso de drogas ilícitas e dependência química na adolescência e vida adulta, de acordo com pesquisas recentes.

Quando devemos cuidar de uma família e quando devemos colocar a “culpa” numa depressão endógena?
Quando medicar uma criança passa a ser necessário? Tudo isso é tão delicado! A depressão infantil existe e pode ter raízes na neuroquímica, genética, ambiente social, trauma ou em tudo isso ao mesmo tempo. Pode ter diversos sintomas diferentes dos adultos, como alta irritabilidade, nervosismo.
Medicamentos são um avanço e podem ser necessários! Mas na minha opinião, na vida, antidepressivos sozinhos não resolvem e muitas vezes os melhores remédios são o amor, carinho, perdão, alegria e a segurança de um lar acolhedor e sem violência de diversos tipos. O que acham?

Mas o que realmente os pais devem fazer caso desconfiem que seu filho está mesmo com depressão?

Primeiro, não devem diagnosticar seus filhos. Mas devem procurar um bom profissional para fazê-lo, caso desconfiem que seu filho não está com uma saúde mental adequada e que o problema vem se prolongando há alguns meses.

Quais são esses sintomas de depressão infantil?

Os sintomas de depressão na infância podem não ser parecidos com os de adultos, o que dificulta muito o diagnóstico correto e a tomada de atitude para ajudar a criança em sofrimento. Ao invés de triste, a criança pode ficar irritada, muito preocupada ou agressiva. Pode ficar muito inquieta, gritar muito, ter crises de choro sem razão ou, em outros casos, ficar apática e sem energia. Pode reclamar dores físicas frequentemente, mudar seu comportamento e passar a apresentar dificuldades cognitivas (de raciocínio). A tristeza também pode estar presente.
Se perceberem que sintomas como esses estão agudos e duradouros, é hora de procurar um profissional para avaliar.

Como saber se o profissional fez o diagnóstico correto?

Para saber se a avaliação profissional foi adequada, verifique se o diagnóstico foi baseado em uma entrevista detalhada, observação clínica e que não foi feito em pouco tempo. O ideal é que seja uma avaliação longitudinal não precipitada. Se não sentir que foi bem feita, procure outro profissional e peça uma segunda opinião. Nesses casos, todo cuidado é necessário e, mais importante do que rotular a criança com um diagnóstico, é cuidar de sua saúde.

Bom, queridas leitoras do FalaMamãe,
Estou à disposição para dúvidas,

Sou Carol Moreira, colunista do FalaMamãe, 
Psicóloga Clínica e Mestre pela UFU
Com treinamento em depressão e ansiedade pelo Beck Institute (EUA) e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. 

 



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