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Sweet Baby
08/03/10

Olá Mamães!

Lendo sobre este post Crie irmãos que se amam, amando todos, que acho um assunto que deve ser tratado com muita importância pelos pais, sugiro um livro bem interessante: Points Forts do Dr. T. Berry Brazelton.
Esse livro é em inglês e não encontrei tradução para o português, mas uma amiga traduziu um dos textos que trata de muitos assuntos importantes para quem tem dois ou mais filhos, informações que toda mãe deveria ler.

Sugiro que vocês leiam primeiro o post Crie irmãos que se amam, amando todos e depois leiam este complemento de fundamental importância.

A RIVALIDADE ENTRE IRMÃOS

Uma certa rivalidade é normal e inevitável. As crianças se descobrem entre si e descobrem a si mesmas através desta rivalidade. Ao mesmo tempo, aprendem a ser atenciosas umas com as outras. Apesar disso, os pais quase sempre são incapazes de ficar fora das disputas. Por que? O célebre psicanalista Erik Erikson me explicou que nenhum pai se sente verdadeiramente capaz de educar mais de uma criança. Quando as crianças brigam, uma culpa inconsciente leva os pais a desejar proteger uma ou outra. Rapidamente, a situação se transforma em triângulo. A rivalidade das crianças é então atiçada pelo desejo de envolver os pais.

ACEITAR A RIVALIDADE

Os pais começam a pensar que serão incapazes de amar duas crianças quando a mãe fica grávida pela segunda vez. Quando, em meu consultório, uma mãe anuncia orgulhosa sua nova gravidez, eu sinto às vezes, esta inquietação. Eu pergunto: “Como seu filho mais velho sente isto?” A mãe enrubesce então e toma um ar um pouco triste. Algumas começam a chorar. É lhes difícil imaginar introduzir um invasor na história de amor que se criou com a primeira criança. A rivalidade das crianças é alimentada por esses sentimentos. Inicialmente, a mais velha vai dirigir sua cólera contra seus pais, pelo abandono. Depois, quando o bebê começa a se locomover e a atacar seus brinquedos, ela poderá encontrar meios de “torturar” o bebê a fim de envolver um dos pais em sua rivalidade. Ela alcançará sua meta de um modo ou de outro. Enquanto o bebê se torna cada vez mais irresistível para as pessoas de fora (a maioria dos caçulas aprendem muito cedo a conquistar um público em detrimento do primogênito), o mais velho mostra um rosto cada vez mais abatido. A criança pode então subir nos joelhos de um dos pais e ficar ali, o polegar na boca, olhando as visitas brincarem alegremente com o charmoso bebê.

Aprender a viver com os outros dentro da família é uma das mais importantes ocasiões de aprendizagem que se pode ter. Aprender a compartilhar não é freqüentemente ensinado em nossos dias. Enquanto pais, provavelmente fazemos incontáveis esforços para evitar às crianças este sentimento de rivalidade. O ideal é ensinar-lhes a se sentirem responsáveis por seus irmãos e irmãs assim como pelo bem estar de toda a família. O sentido de responsabilidade com relação aos outros é sem dúvida o que vocês podem ensinar de mais importante. E isto vem com a descoberta do compartilhar com um irmão ou uma irmã.


Eis algumas sugestões, se você tem mais de um filho jovem:

Peça ao mais velho para fazer algumas coisas apropriadas para a sua idade, para o bebê: dar-lhe de comer, ir buscar suas fraldas, pagá-lo no colo e acalmá-lo quando estiver nervoso. Deixe-o escolher as roupinhas do bebê, ajudar na hora de vestir deitando-se ao lado do bebê, conversando com ele enquanto você o veste. Deixe-o segurar o bebê durante uma parte das refeições, e ajudar a empurrar o carrinho.

Quando sair com os dois, advirta o mais velho: “Quase todo mundo ama os bebezinhos. Isto não quer dizer que eles não te amem também. Se você se sentir triste, abandonado, e com ciúmes, venha se sentar ao meu lado”. Em seguida tome-o nos braços enquanto todo mundo se extasia em torno do bebê.

Se ficar o dia todo em casa com as crianças, você deverá ter um certo número de cuidados especiais.
Como podemos nos adaptar a duas personalidades diferentes e a duas idades diferentes? O mais difícil para uma mãe em casa, talvez seja: passar o dia todo com seres diferentes pela idade e o caráter. Além disto, se você ficar em casa, você desejará que isto seja uma vantagem para as crianças, pois esta é a razão de sua presença. As manifestações de rivalidade lhe dão a impressão de que você não lhes dá o que você deseja. Se as crianças brigam pela sua afeição, como é inevitável, você tem a impressão de estar completamente perdido.

Se você trabalha fora, deve organizar sua volta ao lar a cada dia. Espere que as crianças fiquem excitadas no momento em que você entra pela porta, e que elas se coloquem em situação de intensa rivalidade. Calmamente, mas com firmeza, pegue cada uma delas e a faça contar como foi o seu dia. Depois disso você pode se lançar às tarefas domésticas da noite. E cuide para que cada uma das crianças ajude. Deixe-as escolher as tarefas que desejam executar, e felicite-as por sua escolha. Organize-se para ter um pouco de tempo para consagrar a elas, individualmente, no final do dia.

Cada um dos pais deveria se organizar para passar um momento a sós com cada uma das crianças durante o fim de semana. Fale disto durante a semana, lembre a ela do “nosso momento a dois”. Mas mantenha seus compromissos, e faça de modo que seja um acontecimento verdadeiramente particular. É o momento de se aproximar de cada criança enquanto indivíduo.

VALORIZAR A INDIVIDUALIDADE

Os pais se perguntam freqüentemente como tratar cada criança eqüitativamente. A resposta é simples: é impossível. Cada criança tem uma personalidade diferente e deve ser abordada de modo diferente. Contudo, talvez você ache cansativo mudar de tratamento para cada uma. Você melhorará claramente a situação falando abertamente com elas de suas diferenças, mas sem tomar partido. Por exemplo, você poderia dizer a uma delas: “Você gosta que eu fale docemente”. E à outra: “Você sempre me obriga a gritar”. Tais reflexões as ajudarão a refletir sobre si mesmas.

Quando elas começam a torturar você repetindo: “Você sempre é gentil com ele”, você pode dizer: “Vocês dois são diferentes, o que é formidável. É preciso que eu os trate de modo diferente. Quando falo duro com você, é para que você me escute, mas eu falo com a mesma afeição que quando o faço a seu irmão, mesmo quando minha voz é mais dura.” Se você não se sente culpada por experimentar sentimentos diferentes por cada uma das crianças, estas não serão afetadas. As crianças de famílias numerosas, ou as que foram criadas com outras crianças, parecem poder respeitar mais facilmente as diferenças de cada um.

As crianças que se beneficiam do apoio de seus pais, mesmo que de um modo diferente, têm muita chance. Se você aprecia o caráter de cada um de seus filhos, se você reconhece seus trunfos e se você os faz tomar consciência deles, então seus filhos terão se beneficiado de seu apoio. Quando você diz explicitamente a uma criança quais são seus trunfos ela é capaz de compreendê-los e os apreciar. Mesmo se você, a partir de sua própria experiência, experimenta alguma preferência por certos traços de caráter, você não deve transmitir à criança um julgamento negativo sobre outros aspectos de sua personalidade.

Uma vez que os pais cessem de se sentir culpados de injustiças com relação a um ou outro de seus filhos, eles terão menos dificuldades para ficar fora das disputas. Quanto mais tempo você ficar envolvido, instala-se uma situação de triângulo que permite a cada uma das crianças manipulá-lo. Então as crianças não têm nenhuma possibilidade de resolver seus problemas entre si. Não se envolva em suas disputas, diga-lhes: “Você sabe, eu não faço a menor idéia de quem tem razão e de quem está errado. É preciso que vocês encontrem sozinhos a resposta.” E depois deixe o local. Você descobrirá que haverá bem menos disputas se você não estiver ali para os favorecer. Eu nunca ouvi falar de crianças de uma mesma família que tenha se ferido realmente uma a outra durante os momentos em que os pais não estivessem presentes, nem bastante próximos deles.

AS DIFERENÇAS SEXUAIS

Embora muitos pais façam esta diferença, eles não querem impor estereótipos aos meninos ou às meninas. Efetivamente, estas diferenças são complexas.

Apesar do desejo dos pais modernos de tratar do mesmo modo as filhas e filhos, a criança que pertence ao sexo oposto exercerá uma atração particular. Você não poderá fazer de outro modo do que tratar as crianças de modo diferente justamente por causa de seu sexo. Evite desvalorizar um ou outro. Assim como cada menina tem necessidade de um pai admirativo, cada menino tem necessidade de uma mãe que seja persuadida de que ele é o menino mais maravilhoso do mundo.

DISPUTAS E XINGAMENTOS

Quando uma criança “conta”, o que fatalmente acontecerá, sobretudo não a recompense. Diga-lhe que certamente ela ficaria muito contrariada se alguém fizesse a mesma coisa e que você se recusa a ficar envolvido nesse gênero de situação. Sabendo-se que os pais querem estar a par das atividades das crianças por razões de segurança, é difícil ficar completamente fora das disputas e não reagir a cada grito. Fique atenta a todo barulho não habitual (ou a um silêncio inquietante), mas tente, tanto quanto possível, deixar as crianças brincarem sozinhas.
Se os irmãos e irmãs passam seu tempo a brigar, se disputar, resista à vontade de tomar partido. Se necessário, separe-os fazendo uma “pausa”, cada um do um lado por um momento. Considere a possibilidade de convidar um amigo para cada um deles. Um companheiro de brincadeiras da mesma idade pode ajudá-los muito. Recompense a criança que tenha tido um comportamento positivo com relação a seu irmão ou irmã. Não se envolva quando o comportamento for negativo. Sua participação constitui uma motivação poderosa para prolongar a rivalidade.

IDADE E ORDEM DE NASCIMENTO

A idade da criança, seu lugar na família também vão, obrigatoriamente, influenciar no modo como nós a tratamos. O primogênito será sempre uma criança um pouco diferente para seus pais. Isto representa, aliás, uma vantagem ambivalente. Se ela sofre todas as pressões possíveis, e talvez sofra as conseqüências de certos erros relacionados à inexperiência de seus pais, ela também se beneficia de uma relação particular. Ela se vê freqüentemente incumbida de certas responsabilidades, como tomar conta dos mais novos, cuidados para com o bebê, tarefas domésticas. São responsabilidades que fazem nascer nela um sentimento de competência, um sentimento de importância diante de seus pais que durará até a idade adulta.

O mais novo pode se lamentar de que ninguém o ama, de que ele é sempre o “segundo”, etc., sobretudo se há uma outra criança depois dele. Se os pais podem evitar de se sentir culpados, a criança não obterá satisfação com seus protestos e acabará por compreender que ela não está sendo desfavorecida. A maior parte dos caçulas adquire o gosto pela competição e compensam o fato de ter sido o segundo conseguindo se igualar ao primogênito.

As crianças freqüentemente se sentirão ainda mais mal colocadas sob a escala das preferências. A vantagem é que elas terão muitos “pais”. Elas aprenderão inúmeras coisas com os mais velhos. Os pais não deveriam se sentir culpados de não poder dar bastante para os mais novos. Em uma família unida, o terceiro e o quarto filhos têm verdadeiramente uma grande variedade de mentores.

Se o último filho é tratado como bebê, ele tenderá a se aproveitar disto; tente, portanto exigir dele tanto quanto dos outros pois se ele se beneficiar de muita indulgência, se ocupa um lugar a parte na família, ele arrisca fazer um idéia desvalorizada de si, e agir como uma criança “mimada”. Na medida do possível, esteja atento de lhe mostrar que aprender a compartilhar e a participar das coisas, equitativamente é de seu interesse.

Se as disputas continuam embora as crianças tenham crescido, e se você se sente exasperada, você pode tentar reuni-las num momento tranquilo. Peça-lhes para lhe dizer o que é preciso ser feito. Você deve intervir ou deve deixa-las resolver seus problemas? Deste modo, você dá a elas o sentimento de que são responsáveis por seu próprio comportamento.

Deixe-as às sós, pois as crianças aprenderão a se respeitar e a se amar. A vitória final sobe as rivalidades infantis se produzirá quando as crianças começarem a se comportar como “companheiros”. Eu me lembro do dia em que ouvi nossos filhos conspirando contra nós, seus pais. Isto me pareceu um grande progresso! Quando as disputas cessam para dar lugar a uma coalizão contra os “ogros”, irmãos e irmãs estão no caminho certo.

Acho que vale a pena a leitura.
Beijos de Lúbia Tosta.



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