
Peço desculpas por ter me ausentado por um tempo tão longo, espero que tenham sentido falta dos meus posts.
Alguns dias atrás aconteceu um episódio na escola que não posso deixar de compartilhá-lo com vocês. As diferentes formas dos adultos reagirem aos “tropeços” e tombos das crianças.
Quer saber mais? Leia este post e se prepare para quando o seu filho cair, você não chorar mais que ele.
É comum quando elas começam a andar sozinhas os famosos acidentes acontecerem. Dando os primeiros passos ou correndo, com a incipiente destreza que a autonomia corporal, recém adquirida, empresta à marcha, a criança cai frequentemente. Ali, estatelada no chão, em poucos segundos experimenta não só a dor dos arranhões e contusões – muitas vezes superestimados – mas a dor proveniente do não saber o que fazer, colocada que é, subitamente, numa outra perspectiva do ponto de vista espacial. Aquilo que a criança enxergava antes, quando, lépida, corria, agora não vê mais, ao nível do chão em que está. Se carregava alguma coisa na mão, ao continuar segurando o objeto, dificulta seus esforços no sentido de levantar-se. Pode, também, abandoná-lo bruscamente, quebrando-o ou perdendo-o de vista.
Os diversos matizes da nova experiência que é cair – cujo caráter de novidade não é tanto medido pelo número absoluto de quedas, mas por sua diversidade e contexto em que ocorrem – requerem, da parte da criança, uma rápida e intensa aprendizagem, integrando-a às experiências anteriores. Conta, para isto, com limitados recursos intelectuais, restrita que está à ação concreta e à precária organização das imagens mentais.
Conta, também, com os adultos, especialmente aquele que cumpre a função materna, referência que é para as novas situações que exigem aprendizagem. E o adulto, o que faz?
Pode correr em direção à criança, desesperado, emitindo a mensagem “cair é perigoso” o que é facilmente apreendido pela criança: “andar, afastar-se do adulto, fazer algo novo, ousar é perigoso”, e comunicando, com seu pânico, sua frágil estabilidade emocional. Pode também virar as costas, supondo ser a queda um modo de a criança chamar sua atenção e expressar dependência ante uma situação que é capaz de superar sozinha. Com esta atitude recusa-se a estabelecer uma comunicação com ela naquele momento, eximindo-se de dele participar e ensina, com o “vire-se” subjacente, que aprender é uma ação solitária cujo objeto, ainda que inevitável como a queda, é desprezível. A criança depreende, deste modo, que seu empenho em aprender tem pouca importância.
E quando a criança cai, de novo e inúmeras vezes? Repetindo a queda e desprezando a ajuda com cólera ou um empurrão, revela seu esforço no sentido de aprender a solucionar um problema e fazer-se “dona” do episódio. Talvez o adulto diga: “já te ajudei uma vez, agora chega”, sentenciado, autoritariamente, a amplitude da experiência, como se fosse possível controlá-la, reforçando sua dimensão heterônoma, ou seja, ser governado por outrem. Talvez transforme aquela conquista num espetáculo, com palmas e estímulos exagerados, avultando-lhe o significado e destituindo-lhe a seriedade, disputando com a criança o domínio da situação.
Mas, quem sabe, sem abandoná-la nem dirigi-la, acompanhe a criança, observando-a, conhecendo-a e oportunizando, com esta atitude, que conheça a si mesma, nesta experiência, emblema de tantas outras, que é o cair. Não digo para não se preocuparem com os “tombos” dos seus filhos, mas reajam de forma tranquila, pensando sempre que através das suas atitudes é que eles construirão a deles.
Beijo grande e até a próxima semana.
Lubia Tosta.
lubiatosta@hotmail.com
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Olá Elizabeth,
é bem isso mesmo, são os pais que causam os maiores transtornos kkk.
E quando os tombos acontecem na escola então, dependendo da criança as professoras ficam com receio de contar o acontecido, pois já sabem a reação que as espera. Se os pais olhassem isso com maior serenidade, com certeza as crianças se sentiriam bem mais seguras.
Bjus e continue comentando nossos posts.
Lúbia Tosta
Olá, adorei o artigo: caindo que se levanta. Esse tema serve para meu filho, que, quando vê seu filho cair, quase
chora com a criança. Tem costume de fazer escândalos e as
vezes assusta mais a criança do que o tombo propriamente dito.