Sou Lúbia Tosta, psicopedagoga e colunista do FalaMamãe.
E hoje vamos tratar de assunto sério: as brincadeiras e brinquedos de nossas crianças.
Vamos falar sobre a importância de brincar e jogar com as nossas crianças, brincadeiras que estimulam a criatividade?
Tão fundamentais ao ser humano como o alimento que o faz crescer são os brinquedos e os jogos. Vão muito além do divertimento. Servem como suportes para que a criança atinja níveis cada vez mais complexos no desenvolvimento sócio-emocional e cognitivo.
Quem observa uma criança brincando livremente no quintal (será que ainda é possível?) percebe como ela vai construindo um sem fim de significados em cada ação. Um pedacinho de pau vai sendo transformado continuamente. De espada a corpinho de boneca, de talher a pincel, de cavalinho a, de novo, espada. E essa operação vai se complexificando cada vez mais, na medida em que o pedacinho de pau vai sendo combinado e re-combinado com outros elementos também simples, como pedrinhas, plantas, água. Não precisa de muita quantidade, nem de variedade pra dar sentido na brincadeira. As necessidades são poucas e genuínas. Os objetos ocupam um importante lugar de representação, como deveriam ser normalmente se não tivessem sido, um dia, transformados em produto. E a criança reina absoluta nessa teia, projetada por si mesma, pelo seu Desejo.
Na medida em que projeta, ela se auto projeta, se constrói como Sujeito, para além de uma tênue identidade. O Sujeito auto projetado é dono de si mesmo, não esta à merce de nada nem de ninguém. Não sofre homologações – ao menos ali, naquele momento em que é levado pela brincadeira. Pode criar a seu bel-prazer um mundo encantador e aberto. Auto projetar-se significa construir um significado para si mesmo no mundo.
A criança, nos dias atuais, parece mais esperta e se desenvolve antes do tempo previsto, pois algumas habilidades estão sendo estimuladas. Já pode expressar suas vontades, e seu intelecto é muito mais ativo. Porém, apresenta diferentes formas de ansiedade, de medos e de insegurança com as quais a escola e os educadores tem que estar preparados para lidarem.
Ao analisarmos as crianças à nossa volta, percebemos que brincam muito pouco. A televisão anuncia, com insistência, brinquedos incríveis: sofisticados, coloridos, auto suficientes, barulhentos e caros. Uma tentação para qualquer criança.
Porém, com a mesma intensidade com que atraem a criança, são deixados de lado, após serem manipulados, no máximo, durante uma semana. É que a maioria deles dispensa a colaboração da criança. Essa precisa, apenas, apertar um botão e ver a máquina maravilhosa funcionar por si mesma. Está tudo previsto e certo como um programa de televisão. Só tem um defeito: cansa.
Quem descobriu essas brincadeiras que nunca enjoam, que estão apenas esquecidas? Foi a televisão? Foram os engenheiros das fábricas de brinquedos? Não. Foram as próprias crianças através dos séculos. Uma herança que deve ser transmitida às gerações futuras através do resgate das brincadeiras infantis. Afinal, brincar é preciso.
Há uma infinidade de jogos e brincadeiras que ultrapassaram o tempo e permanecem vivos na memória de todos nós. As brincadeiras de antigamente trazem, em sua bagagem cultural, suas técnicas e regras, que são transmitidas de geração a geração pelos pais e avós. Junto vem o resgate da convivência, da ternura, dos momentos felizes, de sua história através dos tempos.
Bom por hoje acho que já falei demais, mas me angustia muito o fato das crianças de hoje estarem sendo trancafiadas cada vez mais dentro de apartamentos, de casas cada vez menores, de escolas que se preocupam tão pouco com a “qualidade das brincadeiras” e de pais que estão cada dia mais ocupados com o trabalho e não percebem a beleza das brincadeiras de seus filhos.
Beijos e até o próximo post,
Lúbia Tosta.
Tags: alegria, amarelinha, amor, bisavó, brincadeiras, brinquedos, crianças, ensino, escola, filhos, jardim, mães, monótono, pais, pião, pique-esconde, quintal, tempo, vovó
Goivana, Gabriela, Elisana
Em plena hegemonia do Mercado, do consumismo, do over, do demais… as brincadeiras “simples” dão o que pensar.
E por meio delas que as crianças nos dão uma bela mensagem: entre tantas diferenças, o âmago (simples) do Ser Humano é o mesmo e pode ser re-descoberto.
Quem de nós, ainda crianças, nunca recolhemos objetos encontrados na rua ou fragmentos abandonados pela natureza?
Taí uma brincadeira que apaixona toda criança. Pode ser o início de uma coleção, o sinal de uma mente curiosa e de um espírito científico. Acima de tudo, trata-se uma atividade criativa que nem sempre, vale dizer, é vista favoravelmente pelos pais. Afinal, não é fácil ter a própria casa invadida por pedrinhas, conchas, ramos, folhas e animaizinhos secos ou “pior”, tampinhas enferrujadas, pregos, pedaços de lata ou de plástico sujos. Principalmente se a casa em questão é um apartamento no centro de uma grande metrópole. Mas fazer o quê? Pra ser mãe e pai é preciso um pouco de resignação.
Ou mais – se possível. Se quiserem. Não só permitir como estimular essa “arqueologia” que elas fazem. Que tal separar em casa um espaço pro Museu do seu filho(a)? Um espaço pra guardar, catalogar, organizar e mostrar os seus “negócios”, um Museu da, e para a, criança, feito segundo as indicações dela.
As crianças nos ajudam a ampliar nossos olhares preguiçosos sobre o mundo. Para descobrir outros pontos de vista, nada melhor que observá-las enquando constróem sentidos inusitados.
Este vídeo, que achei no Youtube (Waarmee spelen kinderen in Afrika?), demonstra com imagens crianças no Congo (África) brincando de elástico, pular corda, aros, estilingue, rodas de gestos simultâneos e outros jogos tão nossos conhecidos…
Outra coisa que chama a atenção nas imagens é que, pra brincar, precisa-se de muito pouco. Num ambiente de tanta privação, a ludicidade corre solta e é muito criativa. Isso não é nem de longe um elogio à pobreza, mas a simples constatação de que o excesso de estímulos e a riqueza de objetos não só não ajuda, como chega a atrapalhar a brincadeira espontânea.
Como disse anteriormente, mesmo com essa infinidade de brincadeiras o mais importante é a qualidade do tempo que nós, pais e mães, estamos dispensando aos nossos filhos.
“Conservar o espírito da Infância dentro de si por toda a vida quer dizer conservar a curiosidade de conhecer, o prazer de entender e a vontade de comunicar”.
(Bruno Munari, 1986)
Lúbia, esse assunto deveria ser frequente nas páginas sobre criança. Não só as brincadeiras, ou que brinquedo é melhor para que idade..mas sim, a importância dos pais bricarem com seus filhos. Te confesso que tem dias que estou sem um pingo de paciência para brincar com meu filho, aí o reflexo nele é tão forte que ele fica esperando o pai chegar para brincar com ele. Parece saber certinho o horário que o pai chega, e qualquer barulho no portão ele corre lá para ver. Ele tem apenas dois aninhos, eu procuro brincar com ele de massinha, carrinho, contar histórias..e é uma coisa terapêutica. O dia que eu não brinco ele fica mais chatinho, mais chorão…imagina o reflexo de tudo isso quando ele for adulto. Temos que nos esforçar e dar um pouco mais de nós para os pequenos…
bjinss
amei a matéria..
A partir deste post, vou começar a prestar mais atenção nas brincadeiras lá em casa! Nos jardins, nas brincadeiras imaginarias sem precisar de efeito sonoro destes brinquedos coloridos e que não somam nada para a criança. Lubia, vc tem algum livro pra nos indicar falando sobre brincadeiras, criatividade?
NOssa!! Muito interessante e relevante este assunto, na minha casa não tem um lugar ao ar livre pro arthur brinca e desenvolver toda sua criatividade, mas sempre que posso estamos indo pra algum hotel de selva pra ele poder correr / passear / pela grama ..se sentir totalmente ou quase totalmente livre .. e é muito legal vê-lo brincar e participar muitas vezes dessa brincadeira !!
Bjos :)