
Minha filha é uma boneca! Cuidado, dizer isso sempre, pode ser uma grande armadilha!!!
Queridas leitoras do FalaMamãe!
Quem acompanha o FalaMamãe já sabe que a minha grande amiga e mestre em Psicologia é colunista por aqui e agora, os nossos bate-papos ainda serão melhores.
Carol Moreira irá relatar aqui pra vocês alguns dos casos que aparecem ao longo de sua trajetória profissional e claro, ela irá escrever os principais que serão de muita validade para nós, mães.
Vamos falar aqui sempre de COMPORTAMENTO, SENTIMENTO e EMOÇÃO através de exemplos.
Será uma terapia a cada nova história e assim, vamos conversando!
Hoje Carol Moreira irá falar sobre o excesso de cobranças. Será que o caso de hoje não serve para você, mamãe?
Espero que gostem,
Bjos de Carol Siqueira.
Sou Carol Moreira, Psicóloga e hoje gostaria de contar uma história comum, mas muito devastadora. Será que você conhece algum caso assim?
A mãe de Karine procurou um psicólogo para a filha, pois estava estranhando a adolescente. Aos 14 anos Karine deixou de ser a menina doce que fora até então e estava muito agressiva. Não queria mais estudar e mal conversava com os familiares, com exceção de alguns momentos que falava para discordar deles.
- Alguma coisa aconteceu de diferente ultimamente? Perguntou o psicólogo à mãe.
- Não que eu tenha ficado sabendo. Minha filha não é assim, doutor, ela é meiga, calada, nunca me deu trabalho, sempre foi obediente! Sempre se sobressaiu! A melhor da turma, a mais linda do prédio, uma verdadeira boneca!
O psicólogo desconfiou daquela perfeição toda e quis investigar:
- Uma verdadeira boneca?
- É! Nossa Karine sempre nos trouxe orgulho, nunca nos decepcionou… como agora!
Depois de uma avaliação o psicólogo descobriu que Karine não estava sendo vítima de bullying ou de qualquer tipo de violência na escola. Tampouco apresentava um transtorno psicológico ou dependência química. Tudo o que Karine estava fazendo era isso: decepcionando, de propósito, a família.
Ao longo da infância a menina entendeu que haveria um lugar no mundo para ela se, e somente se, acertasse. Quando sujava-se, ouvia que aquilo era errado e recebia bronca. Quando mantinha-se limpa, ganhava elogios. Quando trazia notas perfeitas, era motivo de celebração, mas ai se trouxesse um 8! “-Poderia ter sido melhor!” Por ser a neta mais velha, tinha sempre que dar o melhor exemplo! Desde bebê era o tempo todo comparada aos primos e colegas, sempre ouvia que era linda e educada, ao contrário das outras crianças. Karine teve que decidir se convenceria o mundo de que ela era melhor que todos ou se convenceria a família de que era normal e errava como todo mundo erra. Cansada de sustentar o lugar da perfeição, Karine descobriu (em tempo!) que não precisa acertar o tempo todo para ser amada. E com sorte descobrirá que pode ser humana e feliz!
Muitas pessoas não tiveram a sorte dessa adolescente e prosseguiram na vida tentando sempre ser melhor que os outros em tudo. Algumas delas desenvolveram compulsão por comida, limpeza ou outra coisa, pois suas mentes não conseguem descansar e ficam todo o tempo proferindo críticas e cobranças contra si mesmas. Sentem-se sobrecarrecadas e culpadas, além de se sentirem frustradas e abandonadas quando não são “premiadas” com elogios e comparações. Outras vezes caem em depressão até que consigam elaborar toda essa dinâmica sobre a qual se construíram.
Casos assim são muito mais comuns do que imaginamos, e podem acontecer por boa vontade de pais que querem o melhor para seus filhos. Cuidado com o excesso de cobrança, principalmente em relação aos filhos únicos, alvos de tantas expectativas. Faz parte da infância e da vida: errar, se sujar, “pisar na bola” e ser desculpado, passar despercebido de vez em quando sem “confetes”, ser bom nisso, ruim naquilo…
A criança precisa entender que há espaço no mundo para ela, sem que ela tenha que fazer tanto esforço para conseguir ser o que os outros querem dela. Isso é mais sério do que pode parecer!
Qualquer dúvida ou para até mesmo um pedido de ajuda, estou inteiramente à disposição!
É só comentar aqui e eu respondo o seu comentário,
Abraços de Carol Moreira.
Carolina é mestre em Psicologia (UFU) e tem treinamento em tratamento da depressão e ansiedade pelo Beck Institute, Filadélfia/EUA.
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This entry was posted on terça-feira, julho 10th, 2012 at 1:26 and is filed under Fala, Doutor. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed.
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Bom dia !!!
Tenho 30 anos, já estou a quase 4 anos sem tomar pilulas e não consigo engravidar, já fiz varios exames e todos deram normais o que pode estar acontecendo ???
Espero que vocês me ajudem !!!
Obrigada